Responsável: Iraci Nobre da Silva
Presente no Evento: SIM
ÓRGÃO
UNEAL
ENDEREÇO
AL 115, Km 2, s/n – Palmeira dos Índios/AL, CEP: 57.600-000
WEBSITE DO ÓRGÃO
www.uneal.edu.br
CARGO
Professora
MUNICÍPIO - UF
Palmeira dos Indios - AL
CATEGORIA
Mobilização e participação de crianças e adolescentes
DESCRIÇÃO
A atividade selecionada como boa prática é desenvolvida pelo Curso de Licenciatura Indígena (CLIND), destinado a aluno(a)s oriundo(a)s de diferentes etnias, com a finalidade de formar professore(a)s para as escolas indígenas do Estado de Alagoas. O CLIND surgiu do esforço sistemático de um grupo de professores da Universidade Estadual de Alagoas, Campus III/Palmeira dos Índios, buscando atender à demanda por professores indígenas para as escolas indígenas, com formação em nível superior nas áreas específicas, integrantes da Educação Básica, uma antiga reivindicação das comunidades indígenas de todo país. O CLIND atua junto às etnias Xucuru-Kariri/Palmeira dos Índios, Jiripancó/Pariconha, Koiupanká/Inhapi, Wassu Cocal/Joaquim Gomes, Karapotó-Plak-ô/São Sebastião, Tingui-Botó/Feira Grande, Kariri-Xocó/Porto Real do Colégio. Estas etnias estão distribuídas nas diferentes regiões do Estado, como se percebe no quadro abaixo, quais sejam: Sertão, Agreste, Baixo São Francisco e Zona da Mata, projetando o CLIND como projeto de amplo alcance, em especial, no que toca ao atendimento aos direitos destes povos, com características específicas e diferenciadas. Este Curso se volta para o atendimento não apenas dos alunos da graduação, mas se espraia, durante a realização da Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias, para o envolvimento de toda a comunidade, sendo projetadas e desenvolvidas oficinas voltadas para crianças e adolescentes das comunidades anfitriãs. As atividades estão voltadas à integração das diferentes etnias, mobilizando os alunos das licenciaturas e as comunidades em que se inserem, buscando aproximar os saberes acadêmicos dos culturais, com o intuito de preservar a cultura dos povos indígenas de Alagoas. Durante a realização da Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias, são desenvolvidas oficinas destinadas às crianças e adolescentes, representando forte ação em direção à preservação da cultura local e ao desenvolvimento das habilidades escolares para cada etapa de formação. Em 2010, foram realizadas duas etapas da Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias: 1) Mata da Cafurna/Etnia Xucuru-Kariri/Palmeira dos Índio (Agreste) nos dias 04 e 05 de junho de 2010; 2) Pariconha/Etnia Jiripancó (Alto Sertão) nos dias 16 e 18/07/2010. Entre as oficinas desenvolvidas para crianças e adolescentes, listamos: 1ª Etapa: A Caminho das Aldeias: Da Aldeia à Universidade • Processamento de alimentos; • Drogas; • Saúde da mulher; • Esporte e recreação; • Histórias da minha infância; 2ª Etapa: A Caminho das Aldeias: Arco, Flecha e Diploma • Mosaico; • Teatro; • Jogos matemáticos; • Produção de material didático com sucata; • Trabalhando mente e corpo; • Histórias da minha comunidade; • Beneficiamento de alimentos X Meio Ambiente; • Fotografias; • Show de Química. A Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias se caracteriza como atividade complementar às disciplinas componentes da matriz curricular dos cursos ofertados, voltando-se ao atendimento de crianças e adolescentes, percebendo que a formação de professores não pode se efetivar sem a integração das comunidades às quais pertencem.
DESCRIÇÃO DE ENVOLVIMENTO
As crianças e adolescentes são o público-alvo das oficinas planejadas na Universidade para o período em que os licenciandos estiverem no desenvolvimento das atividades complementares durante os Estudos Cooperados (Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias). O diferencial de tais atividades é o deslocamento de toda a estrutura da Universidade para o desenvolvimento das atividades de formação nas aldeias das diferentes etnias. Além de contemplar as atividades de formação dos graduandos, são realizadas as oficinas com as crianças e adolescentes em período integral, respeitando a rotina destes e os rituais que lhe são característicos. A definição das oficinas que comporão o quadro de atividades ofertadas à infanto-adolescência é definido previamente, por meio de levantamento feito nas aldeias pelos alunos da graduação, que também são indígenas. A partir daí, são montadas as estratégias de trabalho, os materiais necessários, definindo-se aqueles responsáveis pelas atividades.
DESCRIÇÃO DE INTEGRAÇÃO
As oficinas desenvolvidas para a infanto-adolescência durante a Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias caminha na direção da inserção dos grupos socialmente excluídos, o que caracteriza claramente os grupos indígenas brasileiros. As boas práticas desenvolvidas pelo CLIND, como a oficina destinada a crianças e adolescentes, se voltam para a política nacional de formação de professores indígenas para escolas indígenas e, no decorrer do desenvolvimento de suas atividades, tem permitido à Universidade um salto qualitativo na estruturação de programas diferenciados de formação em nível superior, atendendo às peculiaridades do povo brasileiro, como sói acontecer com a educação voltada para comunidades específicas, segundo orientação do Ministério da Educação, como: caiçaras, ribeirinhos, trabalhadores do campo, quilombolas, entre outros. As atividades desenvolvidas com crianças e adolescentes tem por finalidade inseri-los no processo de formação dos professores indígenas que os atenderão, compreendendo seus diferenciais, na disseminação de uma cultura de cooperação entre os povos.
DESCRIÇÃO DE RESULTADOS
A Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias, no desenvolvimento de atividades (oficinas) voltadas às crianças e adolescentes, tem contribuído definitivamente para a articulação e integração das diferentes etnias presentes no território alagoano, fomentando na infanto-adolescência um sentimento de cooperação e necessidade de preservação identitária (o toré, a dança, ritualização de curas e pajelança, pintura corporal, outros símbolos e significados) que carecia de potencialização. Isto tem sido possível em razão das discussões em torno da Língua indígena: identidade, educação e práticas culturais; do estudo sistemático dos povos indígenas no nordeste – mestiçagem e identidade indígena, étnica, especialmente, os presentes no território alagoano (o que se intensifica pela aproximação das etnias durante tais encontros – cada etapa em aldeias de etnias distintas). Podemos ressaltar como resultado valoroso a integração da Universidade com as comunidades que compõem o território onde está situada, fazendo valer sua função social de socialização do conhecimento, mas não apenas isso, de construção do conhecimento a partir das vivências dos grupos diferenciados, uma vez que a estes também deve atender no contexto de suas diferenças e peculiaridades.
JUSTIFICATIVA
A Atividade Intermódulo – Tempo Comunidades nas Aldeias, componente das atividades realizadas pelo CLIND, representa um avanço significativo no trabalho de inserção dos povos indígenas brasileiros (não povo), reconhecendo a peculiaridade destes, de suas crianças e adolescentes, assim como da formação de professores indígenas para este grupo específico. As oficinas realizadas com crianças e adolescentes têm incutido nestes um espírito de cooperação entre os povos, fomentando a prática da interculturalidade desde a tenra idade, articulando um trabalho de preservação cultural ao desenvolvimento de habilidades escolares para cada etapa de formação. Ademais, o CLIND e o trabalho voltado à integração dos povos, e de diferentes idades, representam um trabalho pioneiro no Nordeste Brasileiro, articulando a valorização de saberes, o desenvolvimento integral das comunidades e a interação com outros povos indígenas. O trabalho em relato representa um espaço destinado à afirmação das identidades de povos historicamente negados e a mobilização para que a sua cultura se solidifique na afirmação na diferença.
EXTRAS