Responsável: Maria Inez Pereira
Presente no Evento: SIM
ÓRGÃO
IIMG
ENDEREÇO
Rua Pernambuco, 47 Funcionários BH – MG 30.130.150
CARGO
Orientadora Educacional e Coordenadora do Projeto
MUNICÍPIO - UF
Belo Horizonte - MG
CATEGORIA
Mobilização e participação de crianças e adolescentes
DESCRIÇÃO
A experiência aqui relatada está em desenvolvimento no Instituto de Educação de Minas Gerais desde o ano de 2005 com o propósito de enfrentar o bullying escolar, grande problema enfrentado nas escolas hoje. O Instituto de Educação de Minas Gerais é uma escola pública estadual, aproximadamente 5.600 alunos matriculados em 2010, apresenta características diferentes das demais instituições por ser a maior escola da capital mineira. Funciona em três turnos com anos iniciais, ensino fundamental, médio, magistério e Educação de Jovens e Adultos. Em seus interiores, hoje estudam crianças, adolescentes e adultos de todas as classes sociais e que constroem parte de suas vidas por meio da educação escolar. Os alunos que aqui chegam vêm da Região Metropolitana de Belo Horizonte e de diferentes bairros da capital, sendo número mínimo da região central. O Projeto Diagnóstico e Prevenção do Bullying foi estruturado para intervenção na escola inicialmente com jovens do 1º ano do Ensino Médio tendo como objetivos: Gerais: Identificar as agressões relativas ao bullying no meio escolar no IEMG (tarde) ano letivo 2006/2007. Categorizar/catalogar os tipos de violência percebidas: verbal, escrita, física. Propor medidas de Prevenção do bullying percebido, categorizado no campo citado por meio de um projeto de intervenção elaborado no coletivo da escola. Específicos: Identificar os problemas dos alunos por meio de relatos de experiência de vida pessoal e escolar. Aprofundar os estudos sobre a temática bullying e disseminar informações para a comunidade escolar. Propor intervenções pedagógicas. Para conhecer a realidade do fenômeno bullying na escola foram elaborados dois questionários e aplicados em cinco turmas do 1º ano do Ensino Médio. O primeiro questionário – Perfil do aluno pesquisou dados sociodemográficos (idade/raça/ou escolaridade do grupo familiar,renda familiar,posição do aluno/pais no mercado de trabalho) aspectos relacionados ao lazer, a cultura, problemas de saúde, inclusão de pessoas com com deficiência na escola. Esse questionário foi entregue a 200 alunos tendo sido respondido e entregue por 89 alunos ou seja 44,5%. O segundo questionário tinha por objetivo diagnosticar o bullying. As perguntas giraram em torno da relação que o sujeito estabelece na escola, seja com colega, com professores ou outros membros da comunidade escolar e os possíveis atos de violência geradas dessa relação. O questionário entregue a 148 alunos dos quais 143 (96,2%) responderam. Após análise dos dados optou-se por organizar uma programação anual que pudesse dar conta de planejar e apresentar propostas para enfrentar o problema dentro da escola e que aqui será apresentado por fases para facilitar a compreensão embora na prática o trabalho não se organize exatamente assim, pois fases se complementam e ocorrem simultaneamente. Importante ação realizada em todo o período são os seminários que ocorreram anualmente com o objetivo de sensibilizar a comunidade escolar quanto ao problema do bullying e discutir ações para seu enfrentamento no IEMG. Em linhas gerais as atividades desenvolvidas estão descritas como se segue: 1ª fase: anos 2005/2006/2007 -Reuniões e encontros em grupos semanalmente. -Elaboração do Projeto Diagnóstico e Prevenção do Bullying no Instituto de Educação de Minas Gerais -Encontro com os alunos e realização de dinâmicas sobre o bullying fora da sala de aula. -Coleta de dados com aplicação de questionários “Perfil do aluno” e “Diagnóstico sobre o Bullying” -Tabulação de dados, análise de resultados, relatório final e apresentação para direção e colegiado escolar. -Organização do Iº Seminário Fenômeno Bullying: “O desafio do enfrentamento à discriminação no ambiente escolar”, com todos profissionais da escola e da pesquisadora Cleo Fante. -Constituição do Núcleo de Estudo Interdisciplinar sobre o Bullying no IEMG. -Organização do Grupo de teatro “Nova Cena” que realizou apresentação da peça “Santuário das Gerações” comemorando o Centenário do IEMG. 2ª fase: Ano 2008 -Prioridade para o trabalho com as séries iniciais, -Encontro com famílias, parceria com Escola de Pais do Brasil 2008/2009. -IIº Seminário, com famílias. “O desafio de elaborar estratégias para enfrentar a violência na escola e na família.” Participação da prof. e pesquisadora sobre o bullying Cleo Fante. -Participação no Núcleo de Promoção de Saúde e Paz da UFMG 3ª fase: Ano 2009/2010. -Atividade cultural Grupo Folclórico Aruanda. -Participação no Programa de Transferência de Tecnologia de Abordagem da violência Rede Saúde e Paz da Faculdade de medicina/UFMG. -Lançamento da Campanha “Não sofra em silêncio”, anos iniciais e sétimo ano. -Organização do Projeto Yoga na Educação. -Participação em Curso de Formação em técnica RYE. -Inclusão do tema bullying no currículo das atividades pedagógicas dos professores da área de português do 7º. ano. -Integração com o - Programa Educacional de Atenção ao Jovem/S.EE. - III Seminário: Reflexões sobre a prática do Bullying no IEMG e sobre o desafio de cuidar da educação e da saúde de crianças e adolescentes: Participação da prof. Cleo Fante, e da Dra. Elza Machado de Melo departamento de Medicina Preventiva da UFMG. -Implantação de oficinas no 1º ano do Ensino Médio em parceria com o Projeto Frutos do Morro do Núcleo de Promoção de Saúde e Paz/UFMG. -IV Seminário: O desafio de conviver com as diferenças e a importância da Promoção da Educação e da Saúde, com todos profissionais da escola e participação dos prof. Da UEMG, prof. Maria Odília Figueiredo de Simoni e Frederico Antônio Araújo. - Divulgação do trabalho: a presente experiência foi publicada no livro Podemos prevenir a violência teorias e práticas da editora Organização Pan Americana de Saúde e autoria de Elza Machado de Melo sob o título Diagnóstico e Prevenção do Bullying no Instituto de Educação de Minas Gerais: um relato de experiência - Participação no Prêmio Arcelor Mitral.
DESCRIÇÃO DE ENVOLVIMENTO
O envolvimento das crianças e adolescentes ocorre na execução de todo o projeto com a participação em atividades programadas. A primeira idéia ao construir o projeto foi considerar relatos de alunos e outros atores envolvidos nas relações escolares. A carta de um aluno naquela oportunidade foi objeto de reflexão e peça fundamental para a iniciativa. A busca de informações através de coleta de dados (questionários) foram instrumentos utilizados para dar visibilidade e voz a sua história de vida, seus valores e sua cultura. Destaque é dado ainda no processo de participação dos mesmos nas escolhas das oficinas reflexivas. Durante a CAMPANHA NÃO SOFRA EM SILÊNC IO alunos das séries iniciais e do 7º. ano foram encorajados a colocarem em urnas tipos de agressões por eles vividos dentro das escola. Relevante ainda é a participação dos mesmos em seminário juntamente com todos os profissionais da escola.
DESCRIÇÃO DE INTEGRAÇÃO
No Instituto de Educação de Minas Gerais, um grupo de pessoas, a maioria voluntárias, preocupadas em conhecer e pensar ações para intervir na prática do bullying criaram o Projeto Diagnóstico e Prevenção do Bullying, durante o processo de construção do trabalho criou-se o Núcleo de Estudo Interdisciplinar do Bullying no IEMG com o principal objetivo de promover processos colaborativos que resultem em pesquisas e ou ações para auxiliar no desenvolvimento de propostas para enfrentar o problema da violência escolar. Nesse período o grupo tem buscado cooperação com outras instituições e programas. A Universidade Federal de Medicina de Minas Gerais através do Núcleo de Promoção Saúde e Paz TMPF/SM/UFMG e o Projeto Frutos do Morro cooperam com o trabalho por meio de Transferência de Tecnologia em Abordagem à violência e a Promoção da cultura da Paz qualificando e capacitando participantes da comunidade escolar do IEMG. Para os alunos está em processo de implantação oficinas no 1º ano do ensino médio (dança-violão) com perspectivas para outras séries, representando um desdobramento do trabalho com a Rede Saúde e Paz na forma de uma parceria entre UFMG e Instituto de Educação de Minas Gerais – IEMG. Houve articulação para o desenvolvimento de atividades conjuntas entre a escola e o Projeto Educacional Atenção Aos Jovens da Área Afetivo-sexual da Secretaria da Educação/MG (PEAS). Ministrados palestras, relatando a experiência da Construção do Projeto Diagnóstico e Prevenção do Bullying no Instituto de Educação de Minas Gerais no Curso de Transferência de Tecnologia em 2009 em Belo Horizonte e 2010 em Divinópolis.
DESCRIÇÃO DE RESULTADOS
Durante esse processo de construção do Projeto de Diagnóstico e Prevenção do Bullying no Instituto de Educação de Minas Gerais e do Núcleo de Estudo Interdisciplinar sobre o Bullying ainda não conseguimos elaborar uma medida eficaz que desse conta de apontar maiores resultados. No entanto, a prática de avaliar trabalhos realizados nos confere autoridade para apontar os avanços. É diante desse exercício que fazemos o relato. Podemos citar como resultados alcançados: - visão crítica na perspectiva de melhoria do projeto político pedagógico; - participação de adolescentes na decisão da implantação de oficinas e atividades e nos espaços da escola; - comunidade escolar sensibilizada sobre o bullying; - comprometimento com a prevenção do bullying por alunos e profissionais; - revisão das práticas adotadas em sala de aula considerando a ética, o diálogo, o respeito às diferenças incentivadas; - espaços de reflexão para os adolescentes em funcionamento; - comportamento modificado por parte dos alunos com agressões evitadas; - direito de crianças e adolescentes divulgados; - inclusão na programação da escola de atividades para o coletivo da escola como, por exemplo, seminários; - busca de alternativas para preservação da saúde dos profissionais da escola (Yoga em educação).
JUSTIFICATIVA
Belo Horizonte é a 2ª cidade brasileira com maior incidência do bullying de acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE. Enfrentar um problema dessa natureza e relevância é um desafio para todos os atores envolvidos na cena escolar que vem investindo na prevenção do problema e na construção de uma cultura de paz desde o ano de 2005. Nessa perspectiva configura-se um novo espaço de conhecimento tendo como parâmetro, o trabalho coletivo e como abordagem as questões da educação, da saúde, da família, da escola, do ensino aprendizagem, da cultura e da sociedade tendo como foco a criança e o adolescente e a importância do mesmo ter o sentimento de pertencimento neste espaço social, em busca de oportunidade para desenvolver suas capacidades. O tema que trabalhamos é muito importante conforme demonstra vários estudiosos. O conhecimento que esse grupo vem construindo no enfrentamento e prevenção do bullying nos ousa dizer que somos pioneiros nas escolas públicas de Minas Gerais. Assim, exige aprofundar reflexões e apontar caminhos para cada um cumprir o seu papel e não permitir que os jovens se tornem agressores. É importantíssimo o papel das novas relações que devem ser tecidas, bordadas e costuradas entre escola, estado e sociedade com os graves problemas sociais que vivemos.É dentro da família e da escola que deve acontecer o estímulo e a formação para a participação cidadã de preferência o mais cedo possível e é isso que estamos tentando aprofundar em nosso trabalho, por isso o projeto e o núcleo de estudo O grupo que vem construindo esse trabalho tem passado por reflexões, acumulando experiências, instigando discussões dentro dos espaços que participa na busca de abrir caminhos para alcançar uma escola pública com a educação voltada para dar oportunidade que alunos sejam autônomos, mais felizes e mais críticos capazes de realizar escolhas responsáveis. A experiência desse fórum para o nosso trabalho é de tamanha relevância, pois poderá nos dar oportunidade de dialogar e compartilhar o que estamos pensando, e fazendo poderá contribuir para aumentar a capacidade de resposta às demandas da escola, da comunidade, como também contribuir para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes renovando a esperança de contribuir para um mundo melhor. É com muita expectativa que aguardamos o nosso convite.
EXTRAS
A experiência em curso no Instituto de Educação de Minas Gerais-IEMG foi construída, inicialmente, por um grupo de pessoas que preocupadas com o problema do bullying, optaram por discutir e realizar ações que tem por objetivo o compromisso ético bem como revisão de posturas e outra forma de dialogo e escuta frente aos comportamentos agressivos e violentos na escola. Posteriormente o grupo de trabalho ganhou outras adesões, contando com a participação de pai, mãe, professores de português, de artes e de inglês, uma psicóloga, uma assistente social, estagiários diversos, uma professora da UEMG. O trabalho iniciou com a Orientadora Educacional responsável pelas turmas do 1°ano do Ensino Médio[tarde /2005], que dedicou atenção especial em observar e registrar episódios de brigas, roubo “brincadeiras”de bater,apelidar,comemorações de aniversario com “ovadas”, infrequencia, evasão escolar e outros comportamentos violentos ou decorrentes deles na comunidade escolar. Houve relatos de mães sobre o sofrimento e medo vivido por seus filhos e as conseqüências negativas desses sentimentos na vida escolar desses jovens e uma carta escrita por um aluno do 1º. Ano do Ensino Médio com o título “O que é isso cara?" Essa carta traz a existência de problemas como alcoolismo, uso de drogas, gravidez, tristeza, mal estar vividos pelos alunos, enfim algo singular, aflitivo e preocupante na escola, provocando assim o reconhecimento e admissão de que a escola como instituição social não escapa ao fenômeno da violência. A partir desses registros elaboram-se questões preliminares que foram levadas para a discussão em sala de aula e teve início um processo de questionamento e cobrança de mudança de atitude da escola frente ao problema. Houve necessidade de aprofundar conhecimento sobre o tema da violência sendo realizadas leituras a partir de autores como Cléo Fante – Fenômeno Bullying e outros autores como Constantine. Esses autores denominam o bullying, como insulto, apelido, intimidação, manifestações racistas, de gênero, que podem culminar em violência física. Foi necessário aprofundar a investigação do problema para intervenção no espaço escolar. Nesse sentido foi Organizado o “Projeto – Diagnóstico e Prevenção sobre o Bullying no Instituto de Educação de Minas Gerais, em jovens de 1º. Série do Ensino Médio no Biênio 2006/2007”, discutindo com a direção da escola. O projeto foi apresentado aos professores do Ensino Médio. Em 31 de julho de 2006, foi pautado no colegiado do IEMG e com a aprovação foi encaminhado para a execução. No final de 2006, os dados coletados do projeto foram apresentados à direção da escola, analisados e foram pensadas propostas para enfrentarem os problemas relatados. E assim no mês de maio de 2007, foi apresentado para supervisores, orientadores e vice-diretores do planejamento para o ano de 2007, quando foi proposta a ampliação do projeto. A vice-direção do prédio da Carandaí, turno tarde, aderiu à proposta e assim iniciou o projeto na educação infantil fase I e II. Nesse interim foi criado o Núcleo de Estudos Interdisciplinar sobre o Bullying no IEMG, em outubro de 2007, e organizado os dados do diagnóstico no I Seminário sobre o Fenômeno Bullying com a presença da professora e pesquisadora Cléo Fante, onde foi apresentado e analisado os dados coletados para todos profissionais da escola. Posteriormente, foi organizado debate com o professor e pesquisador Bernardo Monteiro de Castro sobre o jovem a violência. A partir da 2º. Fase, optou-se por realizar um planejamento anual com programações definidas. Foi organizado um trabalho preventivo, com as séries iniciais e também com famílias, em parceria com Escola de Pais do Brasil sendo realizado dois encontros consecutivos 2008/2009, com a participação de aproximadamente duzentas famílias discutindo temas como Ação Educativa na Infância, meninice e Pré adolescência/Dificuldades para Educar, Ação Educativa na Adolescência/ A maturidade dos pais na vivência familiar, Sexualidade humana, todos orientados, norteados pela Escola Pais. É também nessa fase que buscou-se a cooperação de outras instituições e iniciou-se o processo de participação com o Núcleo de Promoção de Saúde e Paz da UFMG/Departamento de medicina preventiva e da Rede Saúde Paz. Hoje acontece a terceira fase do projeto. Em cooperação com o Núcleo de Saúde e Paz foi conquistada a formação para participantes do Núcleo de Estudos. A parceria com o Núcleo de Saúde e Paz resultou também num processo de implantação de oficinas de dança e violão para o 1º. Ano do Ensino Médio com perspectivas para outras séries com o projeto Frutos do Morro. Prossegue o desenvolvimento do trabalho com famílias com o início de uma programação específica “conversa com família”. Está em processo contínuo a busca de integração com outros projetos e programas. A execução do projeto conta com a participação de pessoas voluntárias, o que de alguma forma gera rotatividade no grupo de pessoas que participam do trabalho. A continuidade do trabalho é um grande desafio para todos. Os recursos financeiros necessários para o projeto são tratados diretamente com a direção da escola que o apoia integralmente.
