Responsável: MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA
Presente no Evento: SIM
ÓRGÃO
MALUNGA
ENDEREÇO
GRUPO DE MULHERES NEGRAS MALUNGA Rua C-161 Qd. 361 Lt. 15, Jardim América - Goiânia/GO CEP:74255-120 – Tel. e Fax: (62) 3286-4896 e.mail.:
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
CARGO
COORDENADORA DO PROJETO
MUNICÍPIO - UF
Cavalcante - GO
CATEGORIA
Enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes
DESCRIÇÃO
O Grupo de Mulheres Negras Malunga é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, criada em 1999 na cidade de Goiênia (GO), com a finalidade de atuar no combate ao racismo e ao sexismo na sociedade. No âmbito do projeto, o grupo buscou Mapear e coletar informações sobre as crianças e adolescentes das comunidades do Vão D’Almas, localizada no município de Cavalcante (GO). O grupo buscou identificar a percepção da comunidade sobre a violência sexual nas modalidades de abuso e exploração e sua relação com a questão étnico-racial; sensibilizar e capacitar as lideranças locais (parteiras e bezendeiras) e profissionais de saúde e da educação sobre os riscos e as consequências da violência e exploração no desenvolvimento da comunidade quilombola; contribuir para a elevação da autoestima de crianças e adolescentes negras e quilombolas, por meio de oficinas e rodas de conversas sócioeducativas; e apresentar os resultados do projeto aos moradores da comunidade quilombola sobre a temática desenvolvida por meio de um seminário e uma publicação.
DESCRIÇÃO DE ENVOLVIMENTO
O diálogo entre o projeto e escola é identificado em vários momentos. Na comunidade quilombola, percebe-se a consciência dos familiares e das crianças e adolescentes quanto à importância do ensino oferecido pela escola formal, sobretudo na construção da autonomia do indivíduo na sociedade, o que significa reconhecer a capacidade destas pessoas de tomarem decisões conscientes, sobretudo, nas relações estabelecidas com pessoas externas à comunidade.
DESCRIÇÃO DE INTEGRAÇÃO
Para que os objetivos fossem alcançados, o grupo realizou oficinas sob os temas “A primeira opressão a gente nunca esquece” e “Auto-percepção corporal". A equipe trabalhou com 80 crianças e adolescente do quilombo Vão D’Almas e recebeu boa aceitação da comunidade. O grupo também realizou palestra de sensibilização no Município de Cavalcante, oficinas de capacitação, mostra de vídeo e roda de conversa com participação de profissionais de saúde, professores de escolas nos quilombos Engenho I e II, Vão D’Almas e cidade de Cavalcante, Conselho Tutelar, Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde, CRAS, Secretaria da Igualdade Racial, Prefeitura, Delegacia e Fórum da Cidade de Cavalcante. Num primeiro momento, as oficinas, cursos e roda de conversa funcionaram como instrumento de sensibilização das lideranças e profissionais de saúde e da educação sobre os riscos e as consequências da violência sexual nos quilombos e Cavalcante, onde também desenvolveram atividades com lideranças locais para conhecer melhor os direitos das crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. O grupo bucou promover temas de interesse da comunidade quilombola segundo os eixos da saúde, relaçõµes de gênero, raça e etnia e formas de volência (sexual, cultural, domestica, emocional). As atividades foram realizadas em parceira com o Ministério Público do Estado de Goiás, Secretaria de Saúde, Secretaria de Direitos Humanos de Goiás, SEMIRA, Prefeitura de Cavalcante, Secretaria de Igualdade Racial de Cavalcante, Secretaria de Saúde de Cavalcante, Secretaria de Educação de Cavalcante, Peti de Cavalcante, CRAS de Cavalcante e Secretaria de Assistência Social de Cavalcante, entre outros parceiros.
DESCRIÇÃO DE RESULTADOS
Entre os principais resultados alcançados insere-se a sensibilização e auto-confiança de crianças e adolescentes para o desenvolvimento da comunidade quilombola. A partir de atividades de capacitação, o grupo pôde conscientizar lideranças locais e profissionais da saúde e da educação a respeito dos direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, além dos direitos da comunidade quilombola.
JUSTIFICATIVA
A autoestima da população negra é um dos elementos fundamentais a serem considerados para que estes sujeitos sociais construam solidamente sua autonomia. Durante o período dos trabalhos desenvolvidos na escola Joselina Francisco Maia, a questão da baixa autoestima revelou-se de maneira muito forte entre estudantes, especialmente os adolescentes, e professores. Os professores não contam com um processo de formação continuada que os oriente em sua ação pedagógica, sobretudo para lidar com a temática das relações étnico-raciais. Para que os professores possam tratar da questão, é necessário que trabalhem a sua autoestima, identificando os seus próprios valores, o que sentem ao viverem em uma sociedade racista e como elaboram este sentimento para enfrentar a discriminação. Situações como esta são presenciadas por adolescentes que vivem no meio rural em diferentes regiões do Brasil. Porém, a questão da discriminação racial é um elemento vivenciado mais intensamente pela população negra e também pelos quilombolas. O assunto, portanto, deve ser abordado nas escolas, contribuindo assim para a construção de sujeitos sociais críticos e conscientes de sua importância na sociedade. Somente por meio da reflexão e da tomada de consciência deste problema é que a ação dos professores poderá contribuir para a construção da autoestima dos estudantes quilombolas - o que será possível com a formação continuada de professores que atuam em comunidades remanescentes de quilombo.
EXTRAS